Arqueologia histórica da multidão na Idade Média

Ministrado por João Gomes

Seminário online de 21 de outubro a 20 de dezembro de 2019

O que é “multidão”? 

Uma história da “multidão” é possível? 

Qual a contribuição do pensamento medieval para os tempos atuais?

As áreas de Filosofia Política, Ciência Política, Sociologia e História procuram sempre explicitar e explicar as novas formas de relações sociais, cooperação e representação que lhes são contemporâneas. No interior dessa grande variedade de pesquisas atuais, o lugar ocupado pela noção de “multidão” é fundamental. A motivação para oferecer este curso encontra-se no desejo de contribuir um pouco para este debate, prosseguir em uma pesquisa colocando seu processo à disposição de uma conversa pública e coletiva e, sobretudo, trazer aos participantes elementos do trabalho historiográfico, e de forma específica sobre o período medieval, que permitam demonstrar sua importância para a formação de todo o sistema conceitual moderno utilizado para definir, descrever, ou “inventar” a multidão como uma noção de coletivo completamente aberta.

O curso partirá, em seu primeiro módulo (aulas 1 e 2), da posição que a percepção de um coletivo sem limites estabelecidos e sem forma, portanto, indefinido, possui no interior das teorias sociológicas e políticas contemporâneas. Convencionou-se chamar tal coletivo de “multidão”. A intenção será demonstrar a recusa ou a renúncia em se pensar positivamente qualquer possibilidade de organização coletiva não instituída e as possíveis razões para que a psicologia se apropriasse desse objeto no início do século passado. Terminaremos este primeiro módulo com o exemplo atual de uma tentativa em se inverter essa tendência. 

As razões mais profundas de tal situação serão buscadas ao longo do segundo módulo (aulas 3, 4, 5, 6, 7 e 8), que se propõe a percorrer uma outra história da multidão antes da estruturação do discurso filosófico-político moderno e contemporâneo. Alguns autores foram escolhidos para nos servirem de balizas neste percurso, como santo Agostinho, Pedro Cantor, Tomás de Aquino, Dante, Maquiavel e Espinosa, além de um conjunto selecionado de exegetas bíblicos que nos permitirão perceber a função de uma hermenêutica propriamente medieval. Consideramos o período medieval como uma época de experimentações práticas e teóricas, a partir das quais, podemos reformular nossas questões atuais ao percebermos que mais de um caminho fora aberto para a possibilidade da vida em comum paralelamente àqueles que nos foram oferecidos e, sobre os quais, pautamos nossas interpretações políticas. Dessa forma teremos como ponto de chegada do curso o momento que nossos autores contemporâneos escolheram como ponto de partida.

Objetivos

Este curso tem por objetivo apresentar e discutir o conceito de “multidão” do ponto de vista historiográfico. Sabendo que esta noção é hoje central para algumas das teorias políticas e sociológicas que se propõem a reencontrar um novo sujeito político popular e que, no interior desse debate, a revisão da filosofia moderna em seu início é sempre necessária, percebemos, por conta da experiência de pesquisa, que as bases conceituais pré-modernas, medievais, ainda se faziam presentes em autores como Espinosa e ainda se fazem sentir nos desenvolvimentos contemporâneos. Um dos objetivos deste curso é, também, mostrar as linhas que foram deixadas de lado, mas que preservam toda a sua potência crítica e são ainda passíveis de serem reatualizadas.

Programa 

Módulo I
1- A multidão como a sombra do indivíduo (a Psicologia Social) e como sombra do social
2- A contra-proposta de Toni Negri e Michael Hardt

Módulo II
5- qualiscumque multitudinis: a multidão indefinida de Agostinho (séculos IV-V)
6- omnis multitudo sanctorum est: toda multidão é santa
7- Multidão e revolta em Pedro, o Cantor (século XII)
8- Multidão, reino e sedição em Tomás de Aquino (século XIII)
9- Multidão e atualização em Dante (século XIV)
10- A multidão política em Maquiavel e a multidão livre em Espinosa (séculos XV-XVII)

Bibliografia

AGOSTINHO, A Cidade de Deus (De civitate Dei), L.XIX, cap. 21
Ph. BUC, L’Ambiguité du Livre. Prince, pouvoir et peuple dans les commentaires de la Bible au Moyen Age. Paris, Beauchesne, 1997.
TOMÁS DE AQUINO, D Reino e outros escritos. São Paulo, Armada, 2018.
DANTE ALIGHIERI, Monarquia. São Paulo, Escala,
MAQUIAVEL, Discursos sobre as primeiras décadas de Tito Lívio. São Paulo, Martins Fontes, 2007.
ESPINOSA, Tratado Político. Martins Fontes, 2009.
C, BORCH, The Politics of Crowds, An alternative history of sociology. Cambridge, Cambridge University Press, 2012.
T, NEGRI e M, HARDT, Multidão. São Paulo, Record, 2005.

Modalidade: online. As sessões não ocorrem em tempo real, nem em horário fixo, mas se calcula que a carga de trabalho é de aproximadamente 20 horas.

Solicitamos que leiam mais sobre o trabalho online aqui.

Inscrições:

  1. Preencher e enviar a solicitação de inscrição. O instituto confirmará o recebimento, e enviará a informação necessária para o depósito.
  2. Efetuar o pagamento em seu valor exato.
  3. Enviar o comprovante do depósito para o e-mail: administracion@17edu.org

Público em geral

México e América Latina

Contribuição total

250 reales
$1250MXN (aprox $65USD)

 
América do norte

Contribuição total

$140USD

 

Europa

Contribuição total

110 €

 

Todos os pagamentos são dedutíveis de impostos.

Transferência ou depósito bancário (residentes no México)*

Cartão de crédito ou débito através do sistema PayPal (residentes no México e no exterior)

*A informação para realizar o depósito será enviada juntamente com a resposta à solicitação de inscrição.

Termos e condições aqui.

SOLICITAÇÃO DE INSCRIÇÃO

Data de nascimento

Por quais meios você teve conhecimento desta atividade?