Psicologia e política: por uma prática clínica implicada em direitos humanos

Ministrado por Diana Malito

Seminário online de 10 de junho a 4 de agosto

Aproximação  

Pode aquilo a que a maioria da população tem horror, ou mesmo nega sua existência, dizer algo a respeito dos nossos modos de sentir e de viver?

Por que se aproximar da loucura e do abuso de drogas, se à primeira vista se tratariam de experiências radicalmente diferentes das nossas?

Qual a função da clínica psicológica em um momento de retrocessos humanitários?

Proponho um seminário dentro da temática dos direitos humanos que tome a saúde mental, com ênfase nos usuários de drogas – público maldito por excelência –  como uma questão para as subjetividades que são investidas no tempo presente. 

Isto é, como questão que diga respeito a todos e não apenas a quem sofre de um transtorno mental ou abusa de alguma droga. A clínica operando transversalmente, ao longo do seminário, como o testemunho de vidas que majoritariamente não têm valor, mas que percebo enquanto pesquisadora, trazem potência para pensarmos nossas relações com o mundo.

Um duplo movimento move essa proposta: o de psicóloga que visceralmente toma contato com uma realidade invisibilizada para a população em geral, ou mesmo visibilizada através de uma narrativa única que repete os perigos/malefícios da loucura (e principalmente da drogadição), e o segundo movimento, da pesquisadora que é convocada a pensar em um plano macropolítico as nuances das subjetividades no campo social.

Algumas premissas traçam uma direção de trabalho: Uma psicologia realmente afinada com a defesa dos direitos humanos, com a afirmação de processos de autonomia,   compreenderá que clínica e política, pesquisa e política, não se separam.

Através de conceitos acadêmicos, relatos de experiências limites, recortes da literatura e do cinema, aposto em um seminário que mais do que exponha temas, opere com a sensibilidade das pessoas para que elas multipliquem em outros espaços o que construírem de reflexão crítica.

Objetivos da proposta:

Abordar, a partir de uma perspectiva clínica, a singularidade dos processos de drogadição e loucura acompanhados em um dispositivo da saúde mental, objetivando uma aproximação do que é relegado socialmente ao lixo ou a invisibilidade. A aposta é de que essas situações limites têm o que dizer sobre nossos modos de pensar, sentir, viver, isto é, com os modos de produção da nossa subjetividade.

Um objetivo transversal é pensar a função da clínica e da pesquisa psicológica em seu viés político: o que fazer com o que se escuta? como devolver o que se pesquisa para pessoas dentro e fora das discussões a respeito dessas problemáticas?

Programa:

Semana 1 e 2: O medo da loucura, o medo de si mesmo

Buscar no lugar de discutir “Normalidade” X “Loucura”, abordar a singularidade dos modos de existência, trazendo os conceitos de produção de subjetividade da Filosofia da Diferença – subjetividade capitalística e modos de singularização.

Aprofundar análises sobre a questão da “Reforma Psiquiátrica”, aqui apresentada como um movimento vivo que se institucionaliza e acomoda a força de revolução permanente – apenas adormecida, pronta a entrar em ebulição quando ameaçada.

Semana 3 e 4:  Drogas, consumo e contemporaneidade

Colocar em análise a questão moral que envolve o uso de drogas (ilícitas), dar visibilidade à questão do consumo de objetos e de nós mesmos – paradigma das sociedades contemporâneas. Deslocar o foco das substâncias psicoativas e se debruçar sobre as relações que estabelecemos com o outro, com o mundo e consigo mesmo no tempo presente. 

Nesse segmento entrará a apresentação do conceito da política de “Redução de Danos” – menos como um conjunto de estratégias específicas e mais como aposta ética na saúde mental – através da apresentação de situações concretas que equivocam certos mitos sobre essa prática.

Semana 5 e 6: Da desumanização de determinados atores – por um conceito de Direitos Humanos no qual caiba mais humanos

Aprofundar a discussão sobre direitos humanos trazendo uma análise da construção histórica do que é socialmente aceitável/tolerável. Como pano de fundo, tratar da questão dos encontros, e das diferenças enquanto forças disruptivas. Utilizar material literário apostando que a arte tem recursos para equivocar conceitos que a priori parecem prontos, resolvidos: direitos civis? jurídicos? humanos biológicos? “humanos direitos”? 

É sempre urgente se deter um pouco mais sobre a questão das humanidades, já que a vida em regimes capitalísticos tende a valer tão pouco, e algumas menos ainda do que as outras.

Semana 7 e 8: Clínica, política e subjetividade

Pensar o que pode a clínica em contextos limites, em regimes autoritários, em meio à precarização das relações de trabalho e da oferta de serviços públicos de qualidade. O que pode a clínica em meio à produção de inimigos políticos, paranoia e homogeneizações de toda ordem?

Bibliografia:

AGUIAR, Katia Faria de; ROCHA, Marisa Lopes da. Micropolítica e o exercício da pesquisa-intervenção: referenciais e dispositivos em análise. In: Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 27, n. 4, Dez. 2007

ACSELRAD, G. A educação para a autonomia: a construção de um discurso democrático sobre o uso de drogas. In: ACSELRAD, G. (org). Avessos do prazer: Drogas, Aids e Direitos Humanos. Editora Fiocruz, 2000

ALTOÉ, Sônia; LIMA, Marcia Mello de. (Org.). Que instituição para tratar de psicóticos que usam drogas? In: Pesquisa, Clínica e Instituição. Rio de

Janeiro, 2005, p.136-144.

BAPTISTA, Luis Antonio. A escuta surda. In: A Cidade dos Sábios. São Paulo: Summus,

1999.

BRASIL. MINISTERIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE. SVS/CN – DST/AIDS. A política do Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de álcool e outras drogas/ Ministério da Saúde. Brasília, Ministério da Saúde, 2004.

BRASIL. MINISTERIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE, DEPARTAMENTO DE AÇÕES PROGRAMÁTICAS ESTRATÉGICAS. Álcool e redução de danos: uma abordagem inovadora para países em transição – 1. ed. Em português, ampl. Brasília, Ministério da Saúde, 2004.

FEDERICI, Silvia. Calibã e a Bruxa. Mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017

GROS, Frédéric. O cuidado de si em Michel Foucault. In: RAGO, Margareth; VEIGANETO, Alfredo. (Orgs.). Figuras de Foucault. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

GUATTARI, Félix.; ROLNIK, Suely. Micropolítica: Cartografias do desejo. Petrópolis: Vozes, 8ª ed., 2007

LIMA, C. H. & JUNIOR, A. J. A. O mal-estar na cidade: segregação e toxicomania. In: BENTES, L. & GOMES, R. F. (org.). O brilho da infelicidade / Kalimeros – Escola Brasileira de Psicanálise. Rio de Janeiro, Contra Capa Livraria, 1998.

LISPECTOR, Clarice. A Bela e a Fera. Nova Fronteira, 1979

LOURAU, René. Análise Institucional e Práticas de Pesquisa. Rio de Janeiro: UERJ, 1993

Modalidade: online. As sessões não ocorrem em tempo real, nem em horário fixo, mas se calcula que a carga de trabalho é de aproximadamente 20 horas.

Solicitamos que leiam mais sobre o trabalho online aqui.

Inscrições:

  1. Preencher e enviar a solicitação de inscrição. O instituto confirmará o recebimento, e enviará a informação necessária para o depósito.
  2. Efetuar o pagamento em seu valor exato.
  3. Enviar o comprovante do depósito para o e-mail: administracion@17edu.org

Público em geral

México e América Latina

Inscrições

100 reales
$500MXN (aprox $26USD)
Data limite: 5 de junho

Primeiro pagamento

200 reales
$1,000MXN (aprox $52USD)
Data limite: 17 de junho

Segundo pagamento

200 reales
$1,000MXN (aprox $52USD)
Data limite: 15 de julho

TOTAL

500 reais
$2,500MXN (aprox $131USD)

 
América do Norte

Inscrições
$60USD
Data limite: 5 de junho

Primeiro pagamento
$80USD
Data limite: 17 de junho

Segundo pagamento
$80USD
Data limite: 15 de julho

TOTAL
$220USD

 
Europa

Inscripción
40€
Data limite: 5 de junho

Primeiro pagamento
75€
Data limite: 17 de junho

Segundo pagamento
75€
Data limite: 15 de julho

TOTAL
190€

 

Estudantes, professores e terceira idade*

México e América Latina

Inscrições

100 reales
$600MXN (aprox $31USD)
Data limite: 5 de junho

Primeiro pagamento

150 reales
$700MXN (aprox $37USD)
Data limite: 17 de junho

Segundo pagamento

150 reales
$700MXN (aprox $37USD)
Data limite: 15 de julho

TOTAL

400 reales
$2,000MXN (aprox $105USD)

 
América do Norte

Inscrições
$60USD
Data limite: 5 de junho

Primeiro pagamento
$60USD
Data limite: 17 de junho

Segundo pagamento
$60USD
Data limite: 15 de julho

TOTAL
$180USD

 
Europa

Inscrições
40€
Data limite: 5 de junho

Primeiro pagamento
55€
Data limite: 17 de junho

Segundo pagamento
55€
Data limite: 15 de julho

TOTAL
150€

 
*Os valores não se aplicam a outros descontos.

Pagamento imediato: desconto de 25% no valor relativo ao público em geral, ao realizar o pagamento em uma só vez antes do dia 31 de maio de 2019.

Desconto de 50% no valor para público em geral nos seguintes casos: inscritos, tutores e alunos da pós-graduação em Teoria Crítica do 17 (mestrado, doutorado e pós-doutorado) ao pagar em uma só vez.

325 reais. Custo total deste seminário a partir da terceira atividade cursada no 17, ao pagar em uma só vez.

Todos os pagamentos são dedutíveis de impostos.

Transferência ou depósito bancário (residentes no México)*

Cartão de crédito ou débito através do sistema PayPal (residentes no México e no exterior)

*A informação para realizar o depósito será enviada juntamente com a resposta à solicitação de inscrição.

Termos e condições aqui.

SOLICITAÇÃO DE INSCRIÇÃO

Data de nascimento

Por quais meios você teve conhecimento desta atividade?