Feminino de ninguém: da escrita feminina ao feminino na escrita

Ministrado por Lucia Castello Branco (UFMG/UFBA)

Seminário online de 16 de setembro a 10 de novembro de 2019

O que quer uma mulher?

O que é escrita feminina?

Para onde vai o feminino de ninguém?

A questão proposta por Freud, há cerca de um século – Was will das weib? –, permanece atual, quando a traduzimos pelo viés não só da psicanálise, mas também da literatura, buscando articular esses dois campos em torno do que denominamos, a partir de Lacan, de “escrita feminina”. No entanto, se pensamos na “exigência da obra” e na “escrita do desastre”, tal como formuladas por Maurice Blanchot, somos levados a admitir que a escrita é sempre feminina, desde que pensemos no feminino “mais além do falo”, em direção ao “feminino de ninguém”, figura extraída da textualidade da escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol.

Este seminário propõe abordar, sob o viés do que temos chamado de “psicanálise literária”, a noção de feminino em psicanálise, a partir de Freud e Lacan, passando pela noção de “escrita feminina” e fazendo-a avançar em direção ao “feminino de ninguém”, a ser pensado, como quer Llansol, como um “terceiro sexo”, tão complexo quanto o do homem e o da mulher.

Objetivos da proposta:

– Apurar a noção de “feminino”, em psicanálise, examinando em que medida esta se aproxima do que se entende, em psicanálise, como “mulher”;

– Apurar a noção de “escrita feminina”, por nós proposta na década de 90;

– Focalizar, no texto de Maria Gabriela Llansol, a figura do “feminino de ninguém”, articulando-a às figuras llansolianas do “sexo da paisagem” e do “sexo de ler”;

– Propor, por “exercício de aproximação”, a articulação da figura do “feminino de ninguém” à noção de feminino elaborada por Lacan, sobretudo no Seminário 20 (Encore), de maneira a construir o conceito de um feminino além do falo, o “feminino de ninguém”;

– Propor a formulação de uma “escrita feminina de ninguém”, em que se situam os textos de algumas escritoras da contemporaneidade, dentre elas Maria Gabriela Llansol, Clarice Lispector, Hilda Hilst, Marguerite Duras.

Programa de atividades:

Sessão 1 (2-9-19) –Aproximação ao feminino em psicanálise. Notas preliminares. Na primeira sessão, propomos a leitura de textos fundamentais de Freud, em que questões referentes ao feminino e à mulher são abordadas.

Sessão 2 (9-9-19) – Aproximação à mística em sua relação ao gozo feminino, em Lacan. Na segunda sessão, traremos alguns textos de Santa Teresa de Ávila, Santa Teresa de Lisieux e São João da Cruz, buscando focalizar aí a dimensão do gozo feminino, de maneira a abordar a formulação lacaniana na lição de 20 de fevereiro de 1973, do Seminário 20: Deus e o gozo d’A Mulher.

Sessão 3 (16-9-19) – O que é escrita feminina? Na terceira sessão, exploraremos a noção de “escrita feminina”, por nós formulada em O que é escrita feminina (1991) e A traição de Penélope (1994).

Sessão 4 (23-9-19) – O abismo e o aberto: a exceção feminina. Na quarta sessão, procuraremos nos acercar das noções de “abismo” (Pommier) e de “aberto”(Rilke), aproximando-a da noção de “erotismo”(Bataille) e de “poesia”(Rimbaud), de maneira a situar a “exceção feminina” e a lógica do não todo (Lacan).

Sessão 5 (30-9-19) – Onde vais, Drama-Poesia? Na quinta sessão, leremos “A boa nova anunciada à natureza”, de Maria Gabriela Llansol, de maneira a situarmos o que a autora denominou de “drama-poesia”, buscando focalizar aí o “sexo da paisagem”, em confluência com o “sexo de ler”.

Sessão 6 (7-10-19) O jogo da liberdade da alma. Na sexta sessão, faremos a leitura do livro O jogo da liberdade da alma, em que focalizaremos as figuras de Témia (a rapariga que teme a impostura da língua) e da “rapariga desmemoriada”, de maneira a aproximar o “amor sive natura” (Espinosa) do que Llansol chamou de “amor sive legens”, buscando nos acercar da figura do “legente”, em Maria Gabriela Llansol, em sua relação com o “sexo de ler”.

Sessão 7 – (14-10-19) Feminino de ninguém. Na sétima sessão, buscaremos trazer a figura llansoliana do “feminino de ninguém”, extraída do livro Lisboaleipzig 2: o ensaio de música, em sua confluência com as ideias de Lacan no Seminário 26, A Topologia e o Tempo.

Sessão 8 (28-10-19) Conclusões finais e discussão de propostas de trabalhos finais. Na oitava e última sessão, com um intervalo de quinze dias da sessão anterior, recapitularemos os tópicos abordados para refletir sobre a ideia de um feminino mais além do falo, com base na “psicanálise literária”.

Bibliografia:

ANDRADE, Vania Baeta. Luz preferida: a pulsão da escrita em Maria Gabriela Llansol e Thérèse de Lisieux. BH: FALE-POSLIT, 2006. [Tese de Doutorado] BLANCHOT, M. O espaço Literário. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.

BRANCO, Lucia Castello. O que é escrita feminina? SP: Brasiliense, 1991. BRANCO, Lucia Castello. A traição de Penélope. 2 ed. SP: AnnaBlume, 2011. [1994] BRANCO, Lucia Castello. Chão de letras: as literaturas e a experiência da escrita. BH: UFMG Editora, 2011. BRANCO, Lucia Castello. 40 anos de Macabea, a menor mulher do mundo. Fólio, Revista de Letras, Vitória da Conquista, UESB, v. 9, n. 2, 2017. [http://periodicos2.uesb.br/index.php/folio/index.]

BRANCO, Lucia Castello. O erotismo das minas e o feminino de ninguém. [Inédito]

BRANCO, Lucia Castello, BRANDÃO, Ruth Silviano. A mulher escrita. 2 ed. RJ: Lamparina, 2004. [1989] FREUD, Sigmund. Novas conferências introdutórias sobre Psicanálise e outros trabalhos. RJ: Imago, 1976. P. 139-65: Feminilidade. (ESB, 22) KEINE, Alex. Livrar-se da escrita: Clarice Lispector e a liberdade de ninguém. BH: FALE-UFMG, 2019. [Tese de Doutorado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada.]

LACAN, Jacques. O seminário. Livro 20. Mais, ainda. 2 ed. RJ: Zahar, 1985. LACAN, Jacques. O seminário. Livro 26. A topologia e o tempo, 1979. [Inédito]

LLANSOL, M. G. Lisboaleipzig 2: o ensaio de música. Lisboa: Rolim, 1994.

LLANSOL, M. G. Onde vais, Drama-Poesia? Lisboa: Relógio D Água, 2000.

LLANSOL, M. G. O Jogo da liberdade da alma. Lisboa: Relógio D Água, 2003.

PAULA, Janaína de. Cor’p’oema Llansol. BH: Cas’a’screver, 2016.

POMMIER, G. A exceção feminina. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.

SAMUDIO, Jonas. Mística e poesia nos limites da linguagem: Hilda Hilst e as místicas. “Travessias Interativas”, v. 3, n. 5, 2013, p. 1-21.

Modalidade: online. As sessões não ocorrem em tempo real, nem em horário fixo, mas se calcula que a carga de trabalho é de aproximadamente 20 horas.

Solicitamos que leiam mais sobre o trabalho online aqui.

Inscrições:

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Público em geral

México e América Latina

Contribuição total

250 reales
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América do norte

Contribuição total

$140USD

 

Europa

Contribuição total

110 €

 

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